Conferência da Ordem dos Engenheiros – Região Norte alerta para o plástico de uso único

Notícia 12 Junho, 2019

“O que não é reciclável, tem que passar a ser. É necessário redesenhar o que não é reciclável”.  Esta foi uma das grandes mensagens que Joaquim Poças Martins, presidente da Ordem dos Engenheiros da Região Norte (OERN), deixou a todos os presentes, na conferência “Beyond single-use plastics”, organizada pela OERN e pelo Colégio de Engenharia do Ambiente – Norte no passado dia 11 de Junho.

No mesmo dia foi também inaugurada uma escultura, na praça do Metro da Trindade, dos escultores Xandi Kreuzeder e João Parrinha, os Skeleton Sea que se vai manter pelo menos mais uma semana no local.  Maria João Teles, coordenadora do Colégio de Engenharia do Ambiente da OERN, afirmou que é necessário “chamar a atenção para temas atuais de uma forma educativa e responsável, garantindo o envolvimento dos vários stakeholders, e promover a sustentabilidade e a Engenharia da nossa cidade”  E por esse motivo “esta iniciativa da OERN e do Colégio Regional de Engenharia do Ambiente tem por objetivo envolver a sociedade com incentivar à mobilização de todos, porque este é um problema que tem soluções e que estão ao nosso alcance, sendo a Engenharia uma parte integrante e muito importante na persecução de alternativas.”

Poças Martins salientou ainda que esta conferência não era “contra os plásticos”, mas era um alerta à sociedade para o uso deste material. “Os plásticos já foram um progresso, mas hoje são vistos como um problema”, disse, adiantando que “não podemos continuar a usar as práticas do passado.”

Também o secretário de Estado do Ambiente, João Ataíde, que esteve presente na sessão, sublinhou que o objetivo “não é diabolizar o plástico”, mas sim compreender que é necessária uma mudança de paradigma para não comprometer o futuro das gerações vindouras.

Nesta conferência participaram também, Mercês Ferreira, do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente, que deixou bem claro as decisões e as mudanças já em curso como a proibição de copos descartáveis nas ruas de Lisboa a partir de 2020 e as mudanças em festivais e eventos grandes com a utilização de copos reutilizáveis.

Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto apresentou a estratégia municipal com vista a uma transição para a Economia Circular. “O processo é complexo e depende do envolvimento de múltiplos factores como as empresas, as universidades, os centros tecnológicos e de investigação, os cidadãos ou as organizações não-governamentais”, disse Filipe Araújo, acrescentando que o papel do Município passa por criar as condições necessárias para o envolvimento pleno de todos os factores relevantes.

Na mesmo conferência intervieram ainda Fernando Leite, presidente da Lipor, Amaro Reis, presidente da Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos, defendeu que o plástico é um produto “ágil e multifacetado” e que “pode ser um aliado da economia circular”, António Porto Monteiro, diretor de sustentabilidade da The Navigator Company que lembro que “o papel pode surgir como alternativa sustentável”, por ser “altamente reciclável” e “renovável”, o que acaba por ser mais atrativo para os consumidores. Já para Pedro Lago, diretor de Sustentabilidade e Economia Circular da Sonae MC, “há casos em que as soluções não são óbvias” e outros mais “complexos como a reutilização quando possível, porque nem sempre é possível”, admitiu. “Queremos investir no ecodesign e influenciar como o consumidor atua perante o fim de vida de uma embalagem”, disse.

A conferência fechou com um debate com conduzido por Ana Teixeira, do Colégio de Engenharia do Ambiente Norte, que contou com a presença dos representantes da empresas Tailored Tiles, eCO2blocks, Zouri e Ernesto São Simão.

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HÁ ENGENHARIA ONDE HÁ AÇÃO. 

João Parrinha e Xandi Kreuzeder foram os artistas convidados para trazer até à praça do Metro da Trindade um escultura de grandes dimensões a que chamaram Spider Crab. Com as milhares de garrafas recolhidas durante semanas pela FAP, AEISEP, AEFEUP e associação FOCA construiu-se esta escultura que é um alerta para os plásticos de uso único.

No mesmo espaço durante todo o dia estiveram ainda vários empresas e instituições com demonstrações de alternativas sustentáveis ao plástico.

 

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