Plataforma Notícias Ordem Engenheiros Região Norte - Grandes Entrevistas de Engenharia com… Catarina Monteiro

Grandes Entrevistas de Engenharia com… Catarina Monteiro

12 Julho, 2021

Catarina Monteiro é estudante de Bioengenharia e está a poucas semanas de se estrear com as cores Nacionais no Jogos Olímpicos de Tóquio, na categoria 200 metros Mariposa. Fomos conhecer esta atleta olímpica e futura engenheira. 

Entrevista: Catarina Soutinho | Design: Melissa Costa | Fotos: direitos reservados

O caminho foi longo e difícil, mas a persistência e a determinação desta futura Bioengenheira levaram-na até à maior competição desportiva do Mundo.

Com 27 anos, Catarina Monteiro prepara-se para representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Tóquio, enquanto pensa no futuro que passa pela investigação. “Estou agora no ramo de biotecnologia e a investigação, em especial na medicina desportiva e oncologia, fascinam-me”, confidencia-nos numa entrevista carregada de esperança, mas com o olhos e o coração na natação.

Conheça Catarina Monteiro, mais uma futura engenheira a caminho do Jogos Olímpicos.

 

Para quem não a conhece, fale-nos um pouco do seu percurso pessoal, desportivo e académico para podermos contextualizar os leitores.

 Comecei a aprender a nadar aos 2 anos de idade, por segurança, para estar mais à vontade quando estava de férias. Foi aos 7 que integrei o clube fluvial Vilacondense, e partilhava as minhas horas de desporto entre a natação e o ballet. Chegou o momento de optar e a natação pesou mais na balança. A minha primeira Seleção Nacional foi em 2007, tinha 13 anos, mas foi em 2012 que decidi dedicar-me à natação de forma “profissional” e trabalhar com o foco nos Jogos Olímpicos! Nos que a vida académica diz respeito, sempre tive uma paixão pela biologia e pela investigação, e daí a minha escolha pela bioengenharia em 2011. Neste momento estou à procura do melhor dos meus dois mundos e iniciar um projeto de tese na área da investigação em medicina desportiva através de suplementação com objetivo de melhoria de performance/rendimento desportivo.

 

“O caminho não foi fácil para chegar até aqui (Jogos Olímpicos). São quase 10 anos a trabalhar com este objetivo em mente.”

 

Conte-nos como foi o processo de apuramento para os Jogos Olímpicos?

O caminho não foi fácil para chegar até aqui. São quase 10 anos a trabalhar com este objetivo em mente. Em 2016 fiquei muito perto, e até ao final do período de apuramento acreditávamos que estaria apurada, mas isso não aconteceu. Após os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro fiz uma cirurgia ao ombro, que estava adiada para conseguir lutar até ao final pelo meu lugar nos Jogos.

 

E, entretanto, conseguiu…

Depois disso começou uma nova Catarina, determinada e mais focada do que nunca em atingir o seu sonho. São cerca de 7/8 horas diárias de treinos, 10 a 12 treinos de água antecedidos de um pequeno treino funcional, mais 4 de ginásio, fisioterapia, cuidados com o descanso e alimentação e muito poucos dias de férias ao longo destes últimos 5 anos, para chegar a este momento na minha melhor forma de sempre!

 

“Sou apaixonada pela investigação na área da medicina, a Bioengenharia pareceu-me a melhor opção”

Porque decidiu estudar BioEngenharia?

Sabendo que não queria ser médica, mas sendo apaixonada pela investigação na área da medicina, a bioengenharia pareceu-me a melhor opção. Estou agora no ramo de biotecnologia e a investigação, em especial na medicina desportiva e oncologia, fascinam-me.

Estando a estudar BioEngenharia e a fazer uma qualificação para os Jogos Olímpicos, como é possível conciliar os dois mundos?

Em 2012 assumi que a minha prioridade seria a natação, estava na idade certa para me dedicar a vida desportiva, e não podia deixá-lo para mais tarde. Por isso a opção foi realizar o curso de forma parcial, para também tirar partido dele e aprender, para que, no futuro, quando terminar a minha carreira desportiva poder seguir outra paixão.

 

O facto de estudar BioEngenharia contribuiu, de alguma forma, para o seu pensamento e performance enquanto desportista. Ou é o inverso?

Penso que é o inverso. O desporto fez-me sempre querer um bocadinho mais e querer trabalhar para mais. Procurar o que posso melhorar, e acho que transferi isso para o meu curso, em especial nas áreas que mais me atraem. Procuro sempre saber um bocadinho mais.

Quais são a suas reais espectativas para os Jogos Olímpicos? Podemos apostar as “fichas todas” que irá trazer uma medalha ou ainda é cedo para pensar nisso?

A natação portuguesa ainda está muito longe de pensar em medalhas, é preciso um longo caminho para lá chegar. Neste momento o meu objetivo passa por bater recorde nacional, que é a única coisa que depende apenas de mim. No que diz respeito a classificação, a luta por uma meia final acho que será possível e caso consiga será histórico, pois já vão mais de 30 anos desde a última.

 

“É uma responsabilidade, mas é também um orgulho. Significa que pertenço a dois grandes mundos”

 

A Catarina vai representar Portugal, mas também toda a classe dos engenheiros, cujo futuro passa por profissionais como a Catarina, que têm vários skills. Como vê esta dupla responsabilidade?

É uma responsabilidade, mas é também um orgulho, significa que pertenço a dois grandes mundos e como sempre vou dar o meu melhor para os representar da melhor forma possível.

Qual o objetivo a longo prazo para a sua vida profissional?

Gostava muito de me manter ligada ao desporto através da investigação. Ajudar futuros atletas a atingirem melhores resultados e conseguirem tirar o máximo partido das suas capacidades.

 

Como vê a Engenharia que se faz em Portugal, na sua área em concreto. Consegue identificar o melhor e o pior?

Confesso que ainda não estou muito dentro do mundo de trabalho na área, estou muito focada nos meus objetivos desportivos, e em aprender com o curso. Penso continuar a nadar ao mais alto nível por mais uns anos e por isso ainda estou a “apalpar terreno” no que diz respeito a futuras saídas na área da engenharia que possa ter no futuro

Há Engenharia em tudo o que há? Explique.

A Engenharia é a aplicação do conhecimento, e por isso está presente nas mais diversas áreas da vida.