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Grandes Entrevistas de Engenharia com… Diogo Ferraz Branquinho

Entrevista 3 Maio, 2021

A caminho dos Jogos Olímpicos o extremo esquerdo da Seleção Nacional de Andebol, Diogo Ferraz Branquinho partilha o seu percurso no andebol profissional e as suas aspirações futuras na Engenharia e também na política. 

Entrevista: Catarina Soutinho | Design: Melissa Costa | Fotos: direitos reservados

Tem 26 anos e estuda Engenharia e Gestão Industrial, na Universidade do Minho, mas esta é apenas uma das dimensões da vida de Diogo Ferraz Branquinho.

Jogador profissional de andebol do Futebol Clube do Porto e da Seleção Nacional de Andebol, Diogo Ferraz Branquinho partilha connosco as aspirações futuras. Depois do apuramento inédito da Seleção para os Jogos Olímpicos de 2021, o futuro engenheiro assume que para já o objetivo é “passar a fase de grupos”, mas que “tudo faremos para conseguir trazer uma medalha para Portugal”.

Com a mãe professora de educação física e o pai Engenheiro Mecânico, o futuro de Diogo parecia predestinado: “deve ter sido um pressuposto do meu destino, querer que eu fosse jogador profissional de andebol do FCP e da Seleção Nacional e ao mesmo tempo estudante de Engenharia e Gestão Industrial.”

Conheça melhor Diogo Branquinho. O nosso “Engenheiro Olímpico”.

 

O Diogo é um dos jogadores que fez história na Seleção Nacional de Andebol ao garantir a presença de Portugal, pela primeira vez, nos Jogos Olímpicos. Conte-nos como foi para si esta conquista?

Em primeiro lugar, representar a seleção nacional é um motivo de orgulho, honra e responsabilidade. Temos vindo a escrever bonitas páginas de história no desporto português, a começar pelo melhor resultado de sempre num Europeu, num Mundial e agora com o apuramento para os Jogos Olímpicos. Foi especial na medida em que o fizemos pelo país, por nós e sobretudo pelo Alfredo Quintana.

 

“O apuramento para os Jogos Olímpicos foi especial na medida em que o fizemos pelo país, por nós e sobretudo pelo Alfredo Quintana”

 

Estuda Engenharia, é jogador profissional de andebol e ainda joga pela Seleção Nacional, como é possível conciliar os dois mundos?

Desde cedo que na minha família, alguns treinadores e jogadores me passaram o exemplo de dar o meu melhor no sentido de conciliar uma carreira dual (desportiva e académica) de sucesso. Penso que é importante definir prioridades, organizar o nosso tempo e ter paixão pelo que se faz. Tenho ainda de salientar o apoio dos professores e dos meus colegas da Universidade do Minho que me apoiam e compreendem a minha dificuldade, e fazem tudo o que está ao seu alcance para me ajudar.

“Tudo faremos para conseguir trazer uma medalha para Portugal”

 

O facto de estudar Engenharia contribuiu, de alguma forma, para o seu pensamento e performance enquanto desportista. Ou é o inverso? 

Penso que são muitas as semelhanças do desporto com a vida em geral e neste caso nos estudos ou no mercado de trabalho. Entendo que as características de um bom atleta são as mesmas de um bom estudante: camaradagem, isto é, o trabalho em equipa e o espírito de entre ajuda; liderança, sabermos ser líderes de pessoas e de nós próprios, combate às adversidades; otimismo, ao nos tornarmos uma pessoa confiante, que sabe lidar com a pressão e tem motivação para o fazer.

Quais são as vossas reais expectativas para os Jogos Olímpicos? Podemos apostar as “fichas todas” que irão trazer uma medalha ou ainda é cedo para pensar nisso? 

Os nossos objetivos são passar a fase de grupos. A partir daí iremos encarar jogo a jogo para ganhar, na certeza porém de que, nessa fase, tudo faremos para conseguir trazer uma medalha para Portugal.

 

“Há muitos políticos no desporto, mas não há nenhum desportista na política. Porquê? Cabe-nos a nós (desportistas) provar que também somos qualificados nas diversas áreas de estudo”

 

O Diogo vai representar Portugal, mas também toda a classe dos engenheiros, cujo futuro passa por profissionais como Diogo, que têm vários skills. Como vê esta dupla responsabilidade?

Eu creio que o estigma do desportista está a mudar e já se vêm muitos desportistas com trabalho qualificado a dar cartas noutras áreas. Atentemos neste exemplo: há muitos políticos no desporto, mas não há nenhum desportista na política. Porquê? Cabe-nos a nós provar todos os dias que também somos qualificados nas diversas áreas de estudo. Por outro lado é com alegria que vejo que as empresas valorizam cada vez mais as soft skills, o que sabemos e fizemos para além do curso propriamente dito.

“Criar algo novo é um sonho que tenho, para fazer história na Engenharia e não só no desporto.”

 

Há mais engenheiros na equipa e comitiva da seleção nacional de andebol? 

Há sim, o Humberto Gomes é mestre em Engenharia Civil, e encontra-se neste momento a jogar e a trabalhar ao mesmo tempo no seu ramo.

Porque decidiu estudar Engenharia?

Inicialmente deveu-se ao exemplo de um excelente profissional que eu vi no meu pai. Posteriormente fui procurando aprender com ele e com outros engenheiros e fui-me interessando cada vez mais pela área. A ideia que um engenheiro é aquele que está sempre na solução e nunca no problema cativa-me. E o fazer parte da melhoria contínua de uma empresa, contribuir para a melhoria de qualidade de vida dos trabalhadores e quem sabe criar algo novo é um sonho que tenho, para fazer história na Engenharia e não só no desporto.

Qual o objetivo a longo prazo da vida profissional? 

Após terminar a minha carreira, que eu espero que seja longa, gostava de trabalhar numa grande empresa como Ikea, Inditex, Renault, Apple, Decathlon, Unicer… Também não descarto a ideia de trabalhar num clube que ao fim ao cabo é uma empresa. Tenho um amor escondido pela política, mas só o futuro o dirá. E por fim também poderei passar em empresas nacionais e ajuda-las a andar para frente e cada vez mais marcar Portugal no melhor que se faz no mundo.

Como vê a Engenharia que se faz em Portugal, na sua área em concreto. Consegue identificar o melhor e o pior?

Uma das caraterísticas que eu gosto da minha (área da Engenharia), é que pertence a todas as áreas. Portugal tem vindo a crescer no sentido da inovação e diferenciação nos vários mercados. Temos pessoas inteligentes e altamente qualificadas para trabalhar em todos os ramos. O caminho que temos de traçar e por onde ainda temos muita margem para melhorar é em tentar trazer mais produção para o nosso país, apostar no que é nosso e exportar mais.

Nomeie um engenheiro do Norte que esteja a desenvolver um trabalho que aprecia, dentro ou fora de Portugal.

Há umas semanas o meu pai convidou-me para fazer uma visita à sua empresa JPrior- Indústria de Plásticos. Gostei muito da linha de produção montada pela empresa, das máquinas e sua disposição, do funcionamento e desenvolvimento dos moldes, da produção em série, da distribuição dos armazéns, do departamento de qualidade…etc. Terei que salientar o nome Paulo Branquinho que é um Engenheiro Mecânico que muito tem contribuído para o desenvolvimento na área de injeção de moldes, no panorama nacional e internacional.

Há Engenharia em tudo o que há? Explique.

Em tudo na vida. A pergunta fez-me lembrar a série que ando a ver na Netflix da Fórmula 1. Aquilo é o expoente máximo da ligação entre o desporto e a Engenharia. Tem-me impressionado o trabalho dos team leaders, o papel que os pilotos têm nas empresas construtoras e como é útil o seu feedback no desenvolvimento do motor e do carro, a estratégia, a pressão e sobretudo a paixão, que é a mesma que a minha. Se tivesse que acabar com uma frase seria: “No desporto como na Engenharia”.