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Grandes Entrevistas de Engenharia com… André Rodrigues

Entrevista 22 Junho, 2020

No início queria apenas vestir a farda de bombeiro como o pai, “não sabia, nessa altura, que a paixão pelos bombeiros iria ser tão grande como é hoje.” André Rodrigues para além de ser Engenheiro Mecânico, investigador e professor convidado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) é também 2.º Comandante dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço.

 

Desde os 16 anos que tem os bombeiros no coração, e sem nunca se afastar dessa vocação, juntou a Engenharia à fórmula da sua vida. Com a chegada do verão, também chegam invariavelmente os incêndios, e ainda com a memória do passado tão presente, quisemos saber a opinião de quem está todos os anos, no terreno, a combater os fogos. Com pós graduação em Proteção Civil, André Rodrigues admite que “é do conhecimento comum que Portugal tem um problema estrutural de ordenamento do território” mas acredita que “estamos preparados para a época dos incêndios rurais”.  O engenheiro/bombeiro lembra, no entanto, que o ” envolvimento dos cidadãos é essencial, pois é muito importante a consciência coletiva e que a proteção e a segurança são da responsabilidade de todos e para todos.”

Conheça melhor André Rodrigues nesta entrevista das “Grandes Entrevistas de Engenharia”.

 

Perfil

Nome: André  Rodrigues

Idade: 29 anos

Formação principal: Engenharia Mecânica

Instituição de ensino: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Função principal atual: Investigador (com bolsa atribuída pela FCT) | Professor convidado

Empresa atual: Universidade de Coimbra | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Empresas anteriores: Gistree – Sistemas de Informação Geográfica, Floresta e Ambiente, Lda.; Câmara Municipal de Tabuaço; A Lanterna – Montagens Elétricas e Telecomunicações, Lda.

 

 

O André é simultaneamente Bombeiro e Engenheiro. Em que ponto se encontram as duas atividades?

À semelhança do Engenheiro, também ao Bombeiro é exigida a capacidade de trabalhar em equipas pluridisciplinares, de decidir em ambientes extremos e emotivos, de avaliar, de planear e de resolver problemas que nem sempre são fáceis de solucionar. Encontro também alguns sentimentos comuns entre o Engenheiro e o Bombeiro, que embora seja por causas diferentes, existe a coragem, a dedicação, o empenho e o altruísmo na missão de cada um.

 

Para quem não o conhece, fale-nos um pouco do seu percurso académico e profissional?

O meu percurso académico iniciou-se em 2009 na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) onde ingressei a Licenciatura em Engenharia Mecânica até 2012. Nesse mesmo ano comecei o Mestrado em Engenharia Mecânica também na UTAD. Ainda antes de terminar o Mestrado, e influenciado pela atividade como bombeiro voluntário, frequentei duas pós-graduações, uma em Proteção Civil e outra em Gestores de Emergência e Socorro no Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (ISCIA). No final do ano de 2015 concluí o Mestrado em Engenharia Mecânica. Em 2016 iniciei o Doutoramento em Engenharia Mecânica na Universidade de Coimbra, no percurso dos Riscos Naturais e Tecnológicos, mais precisamente na temática do comportamento extremo do fogo sob a orientação do Professor Doutor Domingos Xavier Viegas. Em 2019 frequentei outra pós-graduação em Gestão Municipal de Proteção Civil no ISCIA. Atualmente, encontro-me também a concluir a Licenciatura em Engenharia de Proteção Civil na Universidade Lusófona do Porto. No que respeita ao percurso profissional, iniciei-me aos 18 anos na área da formação musical, como Professor de Música nas atividades de enriquecimento curricular do 1.º ciclo, após mais de dez anos de estudo na área da música, dividimos por uma escola de música em Tabuaço, a Academia de Música de Lamego e o Conservatório Regional de Música de Vila Real. A partir de 2015 comecei a trabalhar como Engenheiro Mecânico, em atividades como consultoria, gestão de frota e gestão de equipamentos. Entre 2016 e 2018 integrei a equipa da Gistree – Sistemas de Informação Geográfica, Floresta e Ambiente na elaboração de seis Planos Municipais de Emergência de Proteção Civil para a CIM do Alto Tâmega. Desde novembro de 2016 integro a equipa de investigação do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Associação para o Desenvolvimento para a Aerodinâmica Industrial (ADAI) do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra. Desde 2011 que ministro formação por diversas empresas certificadas e desde 2017 que sou formador externo da Escola Nacional de Bombeiros na área do Salvamento e Desencarceramento. Recentemente iniciei funções como Professor convidado na UTAD, no curso de Engenharia Mecânica.

 

Mas para além deste percurso ligado à Engenharia e à investigação, fez também carreira como bombeiro. Quais as suas funções e responsabilidades?

Tudo começou em 2007, como cadete, tinha eu 16 anos, para participar na fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço. Não sabia, nessa altura, que a paixão pelos bombeiros iria ser tão grande como é hoje. Apenas queria vestir a farda de bombeiro como o meu pai! Bem, e acabei por fazer exatamente isso. Começou pela farda da fanfarra, depois a farda e o equipamento de proteção individual de bombeiro na escola de estagiários, e a 30 de dezembro de 2009 o ingresso como Bombeiro de 3ª. No dia 1 de janeiro de 2014 a promoção a Bombeiro de 2ª e em julho desse mesmo ano a transição para a carreira de oficial bombeiro como Oficial Bombeiro de 2ª. Em fevereiro de 2017 o cargo de Adjunto de Comando e, apesar de pertencer ao quadro de comando, em junho de 2018 a promoção a Oficial Bombeiro de 1ª. A 25 de dezembro de 2019 o cargo de 2.º Comandante dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço. As minhas principais funções e responsabilidades são o comando, a organização e a gestão do Corpo de Bombeiros (CB) em apoio ao Comandante, a formação/instrução contínua e inicial do CB, a elaboração das diversas escalas de serviço, a gestão da plataforma “Recenseamento Nacional dos Bombeiros Portugueses” do CB, a Fanfarra como ensaiador/músico e a gestão operacional nas ocorrências em que participo. São mais de 12 de anos como bombeiro voluntário, imensos dias, incomensuráveis horas de dedicação a esta causa e de ausência da minha família para fazer o bem sem olhar a quem.

 


A época dos incêndios está cada vez mais perto. Estamos preparados para encarar esta fase?

Sim, na minha opinião estamos preparados para a época dos incêndios rurais, mas até um certo ponto. Por muito bom que seja o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que engloba os diversos agentes de proteção civil envolvidos no combate – Bombeiros, Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR), Força Especial de Proteção Civil (FEPC) da ANEPC e Sapadores Florestais – bem como técnicos do Instituo da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), das Câmaras Municipais e da Agência para a Gestão Integradas de Fogos Rurais (AGIF I.P.), apoiados por diversos meios terrestres e aéreos, haverá sempre um limite de ocorrências, quer em número e quer em dimensão, que permita ao sistema dar uma resposta em tempo útil. Para além do desafio do combate aos incêndios rurais, este ano temos a presença da Covid-19 que implica a adoção de medidas excecionais para garantir a segurança dos Bombeiros, mas sem descurar a operacionalidade do Corpo de Bombeiros.

 

Há possibilidade de acontecer uma vaga de incêndios como em 2017?

Não posso afirmar que esta ano seja particular ou semelhante a 2017. Pese embora o facto de as condições meteorológicas que ocorreram em 2017 terem sido bastante particulares, podem repetir-se em qualquer ano. O desafio é criar condições para estarmos preparados para as enfrentar. E neste sentido, assistimos a um crescente número de projetos de investigação na área dos incêndios rurais após o trágico ano de 2017, que podem dar um contributo importante no avanço do conhecimento nesta área dos incêndios rurais, e nos quais estamos a trabalhar afincadamente no CEIF/ADAI. Gostaria de salientar o papel positivo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) que tem vindo a disponibilizar e a integrar o conhecimento científico nas entidades operacionais, sobretudo em articulação com a ANEPC, que é essencial como ferramenta de apoio à decisão. Note-se que 95-98% das ocorrências de incêndios rurais são extintas em tempo útil, mas os 5-2% transformam-se em grandes incêndios. Têm-se reforçado o setor do combate, apostando-se em mais meios, em mais operacionais, em mais formação, em mais segurança, mas só isso não nos dá a garantia de que não possamos viver outro ano como o de 2017. Certamente estamos mais bem preparados agora do que em 2017, porque já vivemos a situação e isso trouxe-nos bastantes aprendizagens. A grande questão aqui são as condições da natureza, mais precisamente as alterações climáticas que são uma certeza, assim como a ocorrência de eventos extremos (e não só nos incêndios). Um relatório da ONU sobre as alterações climáticas para 2030 prevê mudanças fatais no ecossistema mundial, referindo que Portugal irá ser dos países da União Europeia que mais sairá prejudicado por estas mudanças. Teremos de nos adaptar aos novos desafios que iremos ter pela frente, tendo a Engenharia um papel preponderante neste aspeto.

 

O que devíamos ter feito e não fizemos de 2017 até agora?

É do conhecimento comum que Portugal tem um problema estrutural de ordenamento do território, que se tem constituído como uma grande ameaça à segurança das pessoas e dos seus bens aquando da ocorrência dos grandes incêndios rurais. Os acontecimentos de junho e de outubro de 2017 originaram uma reforma sistémica na prevenção e no combate aos incêndios rurais. Devido à sua complexidade, o seu estudo e gestão exigem o envolvimento de múltiplas instituições e entidades, numa abordagem multidisciplinar do problema. Falamos, assim, de um caminho longo, que já se começou a percorrer, mas que ainda tem muito caminho para andar. De um modo geral, na minha opinião este caminho que ainda há para percorrer diz respeito ao ordenamento e à gestão florestal, à melhor articulação entre as entidades (por meio de objetivos e planos comuns) e à disseminação do conhecimento por todas as entidades operacionais.

 

 

O que podem os cidadãos fazer para ajudar o trabalho dos bombeiros em caso de incêndio, por exemplo?

Sem dúvida que o envolvimento dos cidadãos é essencial, pois é muito importante a consciência coletiva de que a proteção e a segurança são da responsabilidade de todos e para todos. Tornar as comunidades mais resilientes é importante para que os cidadãos possam autoproteger-se em situações de exceção como aquelas que vivemos no ano de 2017. Permita-me aqui referir como exemplo a criação de quatro equipas comunitárias de intervenção imediata que a Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) levou a efeito no âmbito do Projeto Aldeias Resilientes, pois é um exemplo que conheço bem por integrar a equipa de formação. Estas equipas receberam formação por parte do CEIF/ADAI sobre noções básicas de comportamento do fogo e fundamentos de combate a incêndios rurais. A criação destas equipas permite que cada uma das quatro aldeias disponha de um veículo com equipamento de combate a incêndios rurais e 6 elementos formados e equipados para uma primeira intervenção, para ajudar os Bombeiros no combate/rescaldo ou para proceder à vigilância de algum incêndio. Os Bombeiros devem fazer proveito da ajuda dos cidadãos com maior capacidade física para determinadas funções e dos cidadãos com conhecimento do terreno para o apoio ao reconhecimento do mesmo com vista a um combate mais eficiente, pois muitas vezes os Bombeiros são deslocados para outros concelhos, distritos e regiões do país.

 

Quais são as verdadeiras causas dos incêndios no verão?

As causas dos incêndios dividem-se em 5 grupos principais: natural (por exemplo trovoada), intencional (relacionada com o uso doloso do fogo), negligente (por exemplo a queima de sobrantes agrícolas), reacendimento e desconhecida. Os números concretos estão disponíveis na base de dados do ICNF, mas posso afirmar que nos últimos 10 anos, a maioria dos incêndios rurais teve associada as causas de negligência e de intencional. Com base nestes dados podemos concluir que existe a necessidade de mudarmos o nosso comportamento. A tragédia de 2017 deve ser lembrada para que Portugal não se esqueça nunca desta fatalidade, que enlutou um país e feriu de morte os familiares que sobreviveram, marcou para sempre os corpos de uns e a memória de todos. Por isso, é fundamental a adoção de atitudes de prevenção para minimizar o risco de incêndio rural. Desde logo, torna-se importante que todos tenhamos consciência das condições meteorológicas que potenciam os incêndios rurais, como a temperatura elevada, a humidade relativa do ar baixa e a velocidade do vento moderada a forte, para que nestes dias possamos redobrar as atitudes preventivas. Importa ainda referir que tendo em conta as alterações climáticas que vivemos, outros fatores ambientais estão também eles em mudança.

 

Que medidas adotaram os bombeiros em tempo de pandemia?

Todos os Corpos de Bombeiros tiveram de se adaptar à Covid-19. No caso dos Bombeiros Voluntários de Tabuaço procedeu-se, para além da elaboração e da implementação do plano de contingência, à suspensão de toda a atividade formativa e do serviço voluntário, ao encerramento do quartel ao público e aos bombeiros que não se encontravam de serviço, à criação de duas equipas de 14 elementos (uma no quartel 24 horas durante 14 dias e outra em casa), à definição de regras de utilização e circulação dos espaços do quartel, ao estabelecimento de medidas de higiene e segurança, à aquisição de todo o equipamento de proteção individual necessário, à aquisição de um gerador de ozono para desinfeção das ambulâncias, à criação de isolamento físico da maca das ambulâncias destinadas ao transporte de doentes com suspeitas de Covid-19 e à definição de uma área especial para desinfeção dos equipamentos de proteção individual. Todos os Bombeiros que integraram as referidas equipas foram testados para a Covid-19. As medidas de limpeza e desinfeção dos veículos e equipamentos previamente definidas foram reforçados aquando do início da Pandemia. Tendo em conta que este é um processo dinâmico, todas as regras definidas serão atualizadas em função das instruções emanadas pelas autoridades de saúde.

 

 

A Engenharia está na moda? Porquê?

Sim, na minha opinião a Engenharia esteve, está e estará sempre na moda. Quando se diz que há Engenharia em tudo o que há, é mesmo verdade. E isso faz com que a Engenharia esteja sempre na moda. Ultimamente temos conquistado uma posição interessante no contexto internacional da Engenharia, o que faz com que Portugal seja um país de referência nesta área. Dificilmente não existe mercado de trabalho para quem decide estudar Engenharia, tendo os Engenheiros Portugueses uma enorme capacidade de se adaptarem a situações complexas. A Engenharia está na moda porque como engenheiros temos a capacidade de acompanhar a evolução da sociedade e de estar na vanguarda da tecnologia, dando resposta às necessidades e aos requisitos da atualidade.

 

Qual acha ser ou qual deveria ser o papel da Ordem dos Engenheiros na vida profissional dos Engenheiros?

A Ordem dos Engenheiros tem um papel fundamental na vida profissional dos Engenheiros. Em primeiro lugar porque é a entidade que representa os Engenheiros e regula o acesso a esta atividade profissional. A Ordem dos Engenheiros contribui para a promoção e progressão da Engenharia, para a estimulação dos seus membros no contexto científico, profissional e social, e para a defesa da ética, da deontologia, da valorização e da qualificação dos Engenheiros. Integrar a Ordem dos Engenheiros é essencial para ter o título profissional de Engenheiro.

 

Quais os maiores desafios dos engenheiros neste século?

A Engenharia tem, numa perspetiva social, responsabilidades acrescidas para proporcionar à comunidade níveis de conforto e de segurança que o cidadão, por viver numa sociedade moderna, já tomou como seus. Os desafios para os Engenheiros neste século são imensos, cada vez mais universais, complexos e pluridisciplinares, sendo muitas vezes mais relevante a análise dos efeitos secundários do que as próprias soluções. No meu ponto de vista, atualmente o grande desafio para os Engenheiros, para além de todo o conhecimento que lhes é exigido nas diferentes ciências que estudam, é importante que sejam visionários, ou seja, que olhem para o mundo, vejam o que pode ser feito para um futuro melhor e concretizem esse objetivo. É essencial que se formem Engenheiros que retenham as ideias que lhes são transmitidas, mas também que se formem Engenheiros que criem as suas próprias ideias. E este é o grande desafio para os Engenheiros dos dias de hoje: a criação das suas próprias ideias!

 

 

Nomeie um engenheiro do Norte que esteja a desenvolver um trabalho que aprecia, dentro ou fora de Portugal.

O Engenheiro António Joaquim Salgueiro Rocha da Silva, membro efetivo da Ordem dos Engenheiros da Região Norte, no colégio de Florestal, é para mim uma referência pelos vários anos de trabalho na área dos incêndios rurais, que é um tema de tão grande importância para Portugal. O Engenheiro António Salgueiro começou a trabalhar na prevenção dos incêndios rurais, mais precisamente na área do fogo controlado, em 1989. Desde aí, tem desenvolvido diversos trabalhos, formado diversos técnicos de fogo controlado (no qual me incluo com bastante gosto) em Portugal e no estrangeiro, e realizado diversos estudos de planeamento e gestão de combustível. O Engenheiro António Salgueiro coordenou o Grupo de Análise e Uso do Fogo (GAUF) entre 2006 e 2010, foi membro das Comissões Técnicas Independentes para os incêndios de 2017 e, atualmente, é adjunto da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, I. P., para assessoria em Processos e Melhoria Contínua. Todo este seu percurso é para mim uma fonte de motivação para o trabalho que tenho vindo a desenvolver como Engenheiro, investigador e técnico nesta temática dos incêndios rurais, na qual pretendo continuar a trabalhar, a estudar e a contribuir para uma melhor compreensão deste risco e para a sua consequente mitigação.

 

Há Engenharia em tudo o que há? Comente.

Sim, há muita Engenharia em tudo o que há. Há Engenharia na casa em que vivemos, no abastecimento de água, na eletricidade, nas telecomunicações, nas estradas que percorremos, nos transportes que utilizamos, na escola onde se ensina, no hospital onde se tratam doentes, na empresa que sustenta a economia, nas pontes que ligam as margens, e em muito mais. Direcionando para os Bombeiros, há Engenharia no Quartel, nos veículos, nos equipamentos, na atuação perante cada situação, e em muito mais. No que respeita à Engenharia Mecânica, numa perspetiva física dos incêndios rurais, podem-se considerar problemas a tratar como a análise do risco de incêndio e a sua prevenção, a ignição, a propagação, a extinção e os efeitos do incêndio que abrangem um vasto conjunto de temas e tópicos, em cuja abordagem as ciências de Engenharia Mecânica, nomeadamente a termodinâmica, a mecânica dos fluidos, a combustão e a transferência de calor têm um amplo papel a desempenhar. Pode-se, então, afirmar que há muito Engenharia Mecânica nos incêndios rurais. Há, de facto, muita Engenharia em tudo o que há!

 

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Entrevista e Texto: Catarina Soutinho | Design Gráfico: Melissa  Costa