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Há uma nova rede de Engenharia no feminino na Universidade do Minho

Entrevista 5 Agosto, 2020

A HERTECH surgiu na sequência do programa de mentorias PWIT (Portuguese Women In Tech), do qual as fundadoras fazem parte, como mentee e mentora. Com o apoio da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) a HERTECH é a primeira rede transversal de networking feminino da EEUM que vale a pena acompanhar e participar.

 

Fomos conhecer a HERTECH através das vozes femininas de quem está à frente deste projeto. Quatro mulheres com vontade de mudar mentalidades sobre o papel das mulheres na Engenharia.  A HERTECH carateriza-se ” pela vontade de criar diferença na academia e na sociedade envolvente, apelando e esclarecendo as alunas do ensino secundário sobre o tema, de modo a que tomem uma decisão informada e distante do estigma ao escolher a Engenharia como veículo para continuidade de estudos, do mesmo modo que se promove um bom envolvimento das alunas do ensino superior no mercado de trabalho.” Assim nos descrevem o projeto.

 

 

 

Para quem está a ouvir falar pela primeira vez da Hertech como caracterizam o projeto?

A HERTECH surgiu no âmbito do programa de mentorias PWIT (Portuguese Women In Tech), no qual as fundadoras fazem parte, como mentee e mentora. A partilha de ideias levou à observação da divergência de números nos géneros nalguns cursos da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM). Nasceu assim, com o apoio da EEUM o projeto HERTECH, a primeira rede transversal de networking feminino da EEUM. Este é um projeto disruptivo caracterizado pela vontade de criar diferença na academia e na sociedade envolvente, apelando e esclarecendo as alunas do ensino secundário sobre o tema, de modo a que tomem uma decisão informada e distante do estigma ao escolher a Engenharia como veículo para continuidade de estudos, do mesmo modo que se promove um bom envolvimento das alunas do ensino superior no mercado de trabalho.

“Apesar da rede ser de networking feminino que visa atrair

mais mulheres para as áreas de formação mais tecnológicas.”

 

Na comunicação do vosso projeto pode ler-se que: “A rede HERTECH tem como intenção consciencializar a comunidade e pretende minimizar as desigualdades de género em engenharia e tecnologia.” Como pode isto ser concretizado na prática?

A rede HERTECH pretende criar momentos de partilha de conhecimento entre as três gerações da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (futuras alunas, atuais alunas e Alumni), por meio a criar troca de experiências e pontos de contacto. Neste sentido, estamos a idealizar diferentes eventos sobre este tema de modo a sensibilizar a comunidade académica e também criar diversas dinâmicas no Ensino Secundário de forma a clarificar as alunas do que é verdadeiramente estar num curso de Engenharia atraindo-as, cada vez mais, para estas áreas.

De que forma este projeto ajuda, concretamente, as mulheres na Engenharia?

Este projeto pretende dinamizar formações e palestras com o objetivo de conferir competências de como saber lidar com situações que poderão surgir ao longo da sua vida profissional, fazendo com que estas consigam integrar na melhor forma no mundo de trabalho. Porém, apesar da rede ser de networking feminino que visa atrair mais mulheres para as áreas de formação mais tecnológicas, todas as nossas iniciativas, tais como formações, palestras e programa de embaixadores se encontram abertos à participação de alunos de ambos os géneros.

Que resultados esperam a curto ou médio prazo?

A curto prazo estabelecemos um conjunto de objetivos, alguns deles já conseguidos neste mês de existência HERTECH. Contávamos ter uma rede de embaixadores com onze pessoas e de momento já temos quinze. Pretendemos ter pelo menos um evento por mês e desde que iniciamos as nossas atividades até ao mês de fevereiro do próximo ano temos agenda preenchida. A médio prazo objetivamos iniciar as nossas ações em escolas secundárias da região norte, do mesmo modo que, queremos realizar o nosso programa de mentorias e tutorias com pelo menos 10 mentores e 10 tutores.

“Ficamos muito felizes com esta receção pois, conseguimos verificar que a HERTECH

está a criar impacto e com este apoio, conseguimos construir e erguer a rede”

 

Qual tem sido a reação a este projeto?

Este projecto tem sido bem acolhido pelas pessoas. Ao longo do lançamento da HERTECH, muitas pessoas mostraram-se totalmente interessadas, motivadas e disponíveis em participar e contribuir para a rede. Ficamos muito felizes com esta receção pois, conseguimos verificar que a HERTECH está a criar impacto e com este apoio, conseguimos construir e erguer a rede. Nas duas semanas que se seguiram ao lançamento da rede, estabelecemos a rede de parceiros. Nos cinco eventos que participamos e concretizamos em julho, tivemos em média um público de 30 pessoas. Além do mais, nesse mesmo mês, nas nossas redes sociais, obtivemos quase 500 likes no Facebook e cerca 200 seguidores no Instagram.

Estando no século XXI e num mundo totalmente globalizado, porque acham que ainda é preciso esta afirmação das mulheres? Porquê?

Apesar de estarmos num mundo cada vez mais próximo e global em pleno século XXI, ainda existem convicções pré concebidas em relação alguns temas e achamos que isto acontece, pelo facto de diversas ideologias estarem muito enraizadas na nossa sociedade. É necessário desconstruí-las contudo, para isso, também é preciso tempo e resiliência. Neste sentido, não podemos pedir que as mudanças de paradigmas sejam realizadas de um dia para o outro, mas podemos consciencializar e alertar para esta questão que existe e que afeta muitas mulheres ao longo da sua vida.

“Se conseguirmos alterar a visão das mulheres para certas vertentes da Engenharia,

conseguimos atrair mais mulheres para essas áreas e consecutivamente,

homogeneizar o número de géneros.”

 

O que seria importante mudar: a forma como as mulheres olham para certas áreas da engenharia, ou a forma como o sector olha para as mulheres? Porquê?

Seria importante mudar ambos pois estão interligados. Por um lado, se conseguirmos alterar a visão das mulheres para certas vertentes da engenharia, conseguimos atrair mais mulheres para essas áreas e consecutivamente, homogeneizar o número de géneros. Por outro lado, se o setor olhar de forma diferente para as mulheres, este acaba por se tornar mais receptivo oferecendo uma maior confiança para as mulheres entrarem nestas áreas da engenharia.
De facto, ao longo de muitos anos a mulher foi vista a laborar em atividades dedicadas à saúde e educação, onde se requerem ações mais dedicadas ao cuidar e ensinar. Porém, o empoderamento das mulheres foi-nos demonstrando que as profissões não têm género e, por isso, os setores deveriam ser os primeiros a afirmar que a presença das Engenheiras é uma mais-valia.

A Engenharia ainda é uma profissão de homens? Porquê?

A Engenharia é uma profissão de pessoas. Não se trata de géneros. É verdade que para diferentes engenharias se podem exigir diferentes perfis mas, acreditamos que todos somos capazes de trabalhar na área que gostamos, só depende do envolvimento que dedicamos a uma determinada profissão.

 

“A Ordem dos Engenheiros tem sido sensível a esta temática. A aproximação aos estudantes e a associação a projetos como a HERTECH são ações que a Ordem dos Engenheiros pode vir a equacionar.”

 

Enumere mulheres na engenharia que são um exemplo para todas as outras?

Uma senhora fascinante é a Engenheira Maria Amélia Chaves. Uma mulher que, durante o Estado Novo, frequenta o Instituto Superior Técnico, licenciando-se em Engenharia Civil, um curso comummente conhecido como sendo para homens, só poderá ser um exemplo de que não há barreiras quando não deixamos que o estigma nos oriente. Também a Engenheira aeroespacial americana Aprille Ericsson, vem completar a afirmação pois é a primeira mulher afro-americana a receber um doutoramento em engenharia mecânica pela Howard University e a primeira mulher afro-americana a receber um doutoramento em engenharia no Goddard Space Flight Center da NASA. Para além destas, as nossas Professoras Engenheiras são na sua medida um exemplo para nós enquanto alunas pois para além de terem conhecimentos fascinantes nas nossas áreas, são também pessoas que nos ensinaram a ser Engenheiras e a pensar à Engenheira.

De que forma poderia a Ordem dos Engenheiros contribuir para esta maior igualdade de género?

A Ordem dos Engenheiros tem sido sensível a esta temática. A aproximação aos estudantes e a associação a projetos como a HERTECH são ações que a Ordem dos Engenheiros pode vir a equacionar, no sentido de dar continuidade à promoção da igualdade de género em Engenharia e ao reconhecimento da profissão, nomeadamente, na igualdade salarial entre engenheiros e engenheiras.

“Não haverá vida sem engenharia porque a própria vida é engenharia “

 

Alguém que queria participar no projeto como pode fazê-lo?

Existem diversas possibilidades para participar no nosso projeto. Caso seja aluno(a) da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e pertença a um núcleo ou associação, poderá integrar a nossa rede enquanto embaixador. Outra forma de participar neste projeto, poderá ser através da criação de parcerias com organizações e empresas, onde poderemos, em simbiose, criar atividades e dinâmicas em conjunto. Por fim, existem sempre eventos abertos ao público em geral em que poderão participar, basta estarem atentos às nossas redes sociais, onde os publicitamos e onde esperamos receber muitas visitas dos leitores desta entrevista.

Há Engenharia em tudo o que há? Comente.

Há engenharia em tudo o que há! A engenharia transforma o conhecimento em algo físico e palpável, onde a curiosidade e a criatividade se reúnem concebendo a ideia e criando a obra. Não haverá vida sem engenharia porque a própria vida é engenharia e, por isso, enquanto houver vida, há engenharia em tudo que há!