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Telma Pereira estuda Engenharia e é a nossa Campeã Olímpica!

23 Outubro, 2018

Telma Pereira é a capitã da Selecção Portuguesa de Futsal Feminino, que nos encheu de orgulho ao trazer para Portugal a Medalha de Ouro dos Jogos Olímpicos da Juventude, disputado na Argentina. Para além disso, Telma estuda Engenharia Mecânica, na Universidade do Minho. Fomos descobrir um pouco mais sobre esta atleta e futura engenheira, que nos confidencia que a Engenharia lhe garante o futuro e o futsal a mantém feliz. “Não me sentiria realizada com apenas um.” E ainda bem, porque há Engenharia no Futsal e na nossa campeão Olímpica.

Embora com apenas 17 anos, o seu percurso já tem muitos motivos de orgulho. Consegue resumir tudo em poucas linhas? 

Comecei a jogar à bola desde os 4/5 anos no colégio onde estudava. Joguei com rapazes até não ser mais permitido. Depois comecei a jogar federada com raparigas no Nun’alvares (clube atual, em Fafe), aos com 11 anos. Com apenas 14 estreei-me no campeonato nacional sénior nessa mesma equipa. Seguiu-se uma experiência de duas épocas no FC Vermoim, antes de regressar neste verão ao Nun’Álvares. A nível académico, sempre tive notas altas e fiquei muito feliz por ingressar na Universidade do Minho no curso que desejava: Engenharia Mecânica.

Partindo do slogan da Ordem dos Engenheiros – Região Norte “Há engenharia em tudo o que há”, perguntamos: Há engenharia no Futsal?

Claro que sim. Tal como em Engenharia, no futsal também é preciso estudar, planear, testar e no fim ter arte e engenho para ultrapassar os adversários.

Ganhou uma medalha numa modalidade que é habitualmente vista como sendo de homens. Na Engenharia também acontece o mesmo. Como comenta?

Acredito que a ideia de que o futsal é só para rapazes vai deixar de existir gradualmente. Isso nota-se até no interesse mediático em torno da nossa Seleção. A nossa final olímpica frente ao Japão foi transmitida na televisão e registou as melhores audiências desse dia, no canal transmissor. Mostra que as pessoas gostam cada vez mais de ver raparigas a jogar, e também é um sinal da evolução do futsal feminino. O desporto desempenha um papel importante nesse sentido. Nos Jogos Olímpicos da Juventude, éramos 2.000 rapazes e 2.000 raparigas em competição, provando que não há modalidades para um só género. Em Engenharia, a lógica repete-se. Apesar de ainda haver mais rapazes do que raparigas, o número de raparigas está a crescer e os estereótipos vão acabar por desaparecer, até porque há muitos exemplos de sucesso no feminino. Não creio que seja um curso para rapazes, mas um curso para quem gosta e mostra capacidades para tal.

Há tempo para treinar e estudar? Qual o segredo?

Costumo dizer que há tempo para conciliar tudo. Talvez não dê para sair todos os fins-de-semanas por causa de jogos e testes, mas temos de saber gerir e estabelecer as nossas prioridades, se queremos ser os melhores na escola e no desporto.

Quando terminar o curso o que gostaria de fazer?

O curso de Engenharia Mecânica tem várias saídas profissionais. Como estou no primeiro ano, ainda não consigo escolher um ramo específico. Mais tarde saberei a área que me agrada mais.

É possível juntar o futsal e a Engenharia Mecânica? Como?

Sim, com organização, trabalho e uma boa gestão do nosso tempo. O curso garante-me um futuro e o futsal mantém-me feliz. Não me sentiria realizada com apenas um. Conciliar os dois é, para mim, uma necessidade.

Quer deixar uma frase para inspirar as jovens engenheiras que lerem esta entrevista?

Toda a gente pode fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo e ambas da melhor maneira. Mas isto só é possível com trabalho, organização e, diga-se, com espírito de sacrifício. Entrei em mecânica e fui campeã olímpica, mas tive de estudar muito e de treinar muitas horas para chegar até aqui. Olhando para trás, não me arrependo nem um segundo do esforço que despendi. Nunca fui tão feliz.